EQUIDADE RACIAL: Personagens históricos da cultura negra mateense são homenageados com grafismos na Escola Ceciliano

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Tatiana Milanez

Repórter

Os muros da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Ceciliano Abel de Almeida, em São Mateus, se tornaram uma verdadeira exposição de arte com o tema equidade racial, chamando atenção para os desenhos, escritas e pinturas feitas no local. Isso porque, por meio do projeto pedagógico Aquilombar, foi realizado um trabalho com grafitagem com rostos e nomes de personagens históricos da cultura negra mateense, como Zacimba Gaba, Benedito Meia Légua e Neném Preta.

Zacimba Gaba e outros personagens mateenses estão representados nos muros da Escola Ceciliano Abel de Almeida.
Foto: Divulgação

Em entrevista à Rede TC de Comunicações, a diretora da unidade escolar, Larissa Vitorino, afirma que, para a atividade, foram definidos três eixos: memorial com personagens que já faleceram, um mural com personagens que estão vivos e que contribuem para a equidade étnico-racial, além de um perfil de alunos. “A ideia de colocar algo no muro que remetesse a São Mateus surgiu do diálogo dos professores, sob orientação do professor Marcos Góes, com os alunos”, explica, mencionando que também foram homenageados personagens negros de destaque nacional e mundial.

Larissa Vitorino assumiu a direção da Escola Ceciliano Abel de Almeida em dezembro de 2024.
Foto: Divulgação

Larissa revela que não imaginava que o trabalho do projeto Aquilombar repercutisse tanto, dentro e fora dos muros da escola. “Queríamos que repercutisse com os novos estudantes, mas foi muito maior que isso. As pessoas têm parado no muro, tirado fotos, em especial os familiares dos personagens que colocamos. Recebemos até agradecimentos” – enfatiza.

De acordo com a diretora da escola, o artista plástico responsável pelos desenhos é o grafiteiro Vinicius Graffit.

 

Estudante afirma que intervenção exalta raízes históricas mateenses

 

A estudante do 3º ano da EEEM Ceciliano Abel de Almeida, Ana Luísa Barcelos Cortat, de 19 anos, salienta que a intervenção urbana realizada por meio do projeto Aquilombar nos muros da escola é uma forma de exaltar as raízes históricas que circundam os mateenses e “de relembrar que, apesar de toda exclusão acadêmica de pessoas negras, elas ainda serão lembradas.”

Ana Luísa Barcelos Cortat: “Coisas que só liamos nos livros, agora fazem parte da nossa rotina pedagógica”.
Foto: Divulgação

Ela também destaca o senso de pertencimento, ao pontuar que a maioria dos estudantes da escola Ceciliano Abel de Almeida é de negros. “É essencial ter esses espelhos, onde eles podem se refletir de forma positiva, orgulhosa e constante”, frisa.

A estudante declara ainda que o projeto Aquilombar permite com que tenha um contato mais próximo com a cultura quilombola e que aprender dessa forma está sendo muito interessante. “Coisas que só liamos nos livros, agora fazem parte da nossa rotina pedagógica”, diz a moradora do Bairro Forno Velho (Cohab).

Na opinião de Ana Luísa, perceber o quanto da cultura negra ela pode ter acesso é o grande legado do projeto Aquilombar. “Nunca imaginei que seria possível preencher uma prateleira inteira só com livros escritos por quilombolas locais, autores superimportantes que até então eu não conhecia”, enfatiza.

 

 

Alunos estudarão ervas medicinais usadas em quilombo, diz diretora

 

A diretora da escola Ceciliano Abel de Almeida, Larissa Vitorino, relata que o projeto Aquilombar já realizou diversas atividades voltadas à equidade racial desde o início do ano letivo de 2025 e que em breve os alunos farão uma visita ao Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes) para conhecer e estudar as ervas medicinais usadas no Quilombo Divino Espírito Santo.

Estudantes da escola participaram da escolha da grafitagem para homenagear personagens negros.
Foto: Divulgação

“No dia 20 de novembro [Dia da Consciência Negra], quando São Mateus vira capital do Estado, nós estaremos com um stand no Bairro Porto para expor o trabalho realizado [pelo projeto Aquilombar], com todas as nossas ações” – complementa a diretora, que afirma ter assumido o cargo na escola em dezembro de 2024.

Larissa acrescenta que o objetivo da escola é trabalhar o tema equidade racial ao longo do ano letivo e não apenas nos dias que antecedem o feriado nacional do Dia da Consciência Negra. “Dentro do projeto Aquilombar já fizemos a coleta do censo, oportunidade em que os alunos foram orientados e fizeram uma autodeclaração [étnico-racial], e também uma visita ao Quilombo Divino Espírito Santo, que enviará em breve lideranças para uma visita à nossa escola” – detalha.

Segundo a diretora da EEEM Ceciliano Abel de Almeida, uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação (Sedu) levou para o espaço escolar o professor Marcos Góes Oliveira, coordenador de Estratégias para Equidade Racial, que atua na articulação para envolver em todas as disciplinas o movimento étnico-racial por meio de diferentes formas de abordagem do tema.

 

Foto do destaque: Divulgação

 

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