Planejamento de sucessão familiar em empresas e fazendas evita conflitos e gera economia, aponta especialista

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Wellington Prado

Repórter

Para muitos, discutir a sucessão familiar em empresas e fazendas ainda é encarado como tabu. No entanto, iniciar esse planejamento o quanto antes pode evitar conflitos futuros, gerar economia e garantir a sobrevivência dos empreendimentos e patrimônios. É o que afirma a contadora, com pós-graduação em Holding e em Planejamento Tributário, Amália Toniato Beltrame, de 30 anos, da Contabilidade Delta, em Jaguaré.

Em entrevista à Rede TC de Comunicações, Amália, que também é professora de ensino superior e integra o Conselho Regional de Contabilidade Jovem (CRC Jovem), destaca que ela mesmo é um exemplo de sucessão familiar. “Os meus pais Adriano Toniato e Marlene Marinato também são contadores e têm escritório há 40 anos. Tem uns 10 anos, mais ou menos, que eu entrei. E nos últimos cinco anos, aproximadamente, a gente vem com esse ‘intensivão’ da sucessão familiar. Eu falo que não é um ponto, é um processo de anos. A sucessão nunca é tão rápida” – sustenta.

Amália Toniato Beltrame, da Contabilidade Delta, a contadora e possui pós-graduação em Holding e em Planejamento Tributário, além de ser professora de ensino superior e integrante do CRC Jovem.
Foto: Divulgação

Para contextualizar a importância de um planejamento de sucessão, Amália apresenta dados sobre o fechamento de empresas ao longo das gerações familiares no Brasil.

“É um país que tem muitas empresas familiares. Cerca de 90% das empresas hoje no nosso País são familiares. O problema de você não conseguir, não estruturar a sucessão, é que você não consegue a sustentabilidade da empresa ao longo do tempo. Só 30% chegam à segunda geração e 15% à terceira.  Quando a gente não pensa nisso, a gente já fica fadado a uma estatística de acabar realmente com essa empresa ao longo das gerações, quando a gente não estrutura isso da forma correta” – reforça.

 

ECONOMIA TRIBUTÁRIA

 

A contadora jaguarense Amália Toniato Beltrame salienta que quando a pessoa não se planeja para a sucessão familiar, acaba pagando mais impostos com inventário, por exemplo, o que pode submeter a empresa ou a fazenda a um risco. “O valor que talvez você tenha que pagar por um inventário, por uma coisa nesse sentido, às vezes é muito maior. Então já vimos em muitos casos as pessoas tendo que se desfazer dos seus bens praticamente para poder pagar um inventário, para poder liberar alguma coisa e já fica também ali dentro dessa estatística fadada ao fim mesmo. Então a gente faz principalmente isso: evita os conflitos familiares, colocando regras, acordos entre os herdeiros e a gente faz essa economia de impostos também” – explica.

 

 

Holding é a melhor alternativa para a sucessão, frisa contadora

 

A contadora Amália Toniato Beltrame destaca que atualmente a melhor alternativa para a sucessão em empresas e em fazendas é a holding familiar, porque, segundo a especialista, no processo de inventário “é preciso pagar um valor muito alto e a questão do testamento também não é garantida judicialmente”.

“Então, entre as possibilidades que a gente tem de fazer a sucessão, a holding é a melhor delas. Mesmo porque se evitam os custos e também a questão do ITCMD [Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos], a questão do inventário, do imposto de renda, ganho de capital. Então, várias coisas ali que a gente consegue reduzir custos. Esse processo é o mais importante que a gente tem pelo combo de benefícios que ele traz também” – avalia.

Amália explica que a holding familiar –uma estrutura societária criada funcionando como uma empresa que detém os bens e ativos da família– possui várias formas de ser estruturada.

“Normalmente, a gente constrói essa empresa, consolida e coloca os patriarcas ali dentro, principalmente as pessoas que são detentoras do patrimônio. Então, tudo de patrimônio que a família tiver, que os patriarcas tiverem, a gente coloca dentro dessa empresa. Após eles entrarem na empresa, a gente vai fazendo por doação de cotas. Os pais doam as cotas aos filhos, e ali dentro, depois onde eles estiverem, dentro dessas empresas, já com todas as cláusulas, com todas as reservas de usufruto” – esclarece.

 

 

CONTABILIDADE RURAL

 

Amália ressalta que contratar uma contabilidade rural preparada e especializada é importante para a sucessão familiar e em outras situações do gerenciamento dos negócios. “Porque são detalhes que acontecem, que fazem parte da vida do produtor rural, da vida do agronegócio específico, que tem muitas regrinhas. A gente não pode colocar riscos também de forma generalizada. A importância de contratar alguém especializado nesse sentido é justamente para ficar atento aos detalhes e economizar mais ainda” – justifica.

Foto do destaque: Divulgação

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