Setor de rochas do ES manifesta preocupação com tarifas de Trump
Por
Claudio Caterinque
Repórter
As tarifas de 50% anunciadas pelo presidente Donald Trump para exportações de origem brasileira também devem atingir em cheio o setor de rochas ornamentais no Espírito Santo. De acordo com a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), o Estado é responsável por 82,3% do comércio desse setor para os Estados Unidos da América (EUA) e a tarifação extra já vem provocando preocupações no meio empresarial e produtivo, principalmente do norte do Estado.
“A medida representa um sinal de alerta para o equilíbrio das relações comerciais entre os dois países e atinge diretamente o setor de rochas naturais, cuja pauta exportadora tem nos Estados Unidos seu principal destino”, manifesta o Centrorochas, associação de empresários com sede em Vitória que atua diretamente nos trâmites relacionados à presença brasileira no exterior.

Foto: Anpo/Divulgação
Segundo estudo apresentado pelo Centrorochas, somente no ano passado o mercado norte-americano respondeu por 56,3% das exportações brasileiras do setor, totalizando 711,1 milhões de dólares. “Desse montante, o Espírito Santo concentrou 82,3%, com 672,4 milhões de dólares [R$ 3,752 bilhões, conforme cotação da moeda estrangeira nesta segunda-feira, 14] destinados aos Estados Unidos” – reforça.
A entidade aponta que a nova alíquota coloca o Brasil em desvantagem competitiva frente a outros fornecedores internacionais como Itália, Turquia, Índia e China, que enfrentarão tarifas inferiores. “A medida ameaça o desempenho de mais de 200 empresas exportadoras brasileiras e compromete uma cadeia produtiva que gera cerca de 480 mil empregos diretos e indiretos no País”, afirma.
Ainda segundo a associação empresarial, a entidade está monitorando a situação e dialogando com autoridades brasileiras e parceiros institucionais para buscar soluções que minimizem os impactos da medida, assegurem a previsibilidade das relações comerciais e preservem o espaço do Brasil no mercado norte-americano.
Anpo já previa taxação e risco de recessão nos EUA no início do ano
A Associação Noroeste de Produtores de Rochas Ornamentais (Anpo), que representa empresários produtores de rochas ornamentais no norte do Estado, com sede em Barra de São Francisco, já previa no início do ano uma possível taxação do setor pelos Estados Unidos.
“O comportamento anômalo das exportações brasileiras de rochas ornamentais, em dezembro de 2024 e 1º bimestre de 2025, foi motivado, como em vários outros setores, pela antecipação das compras dos importadores norte-americanos. Sinalizou-se o temor do aumento das tarifas para essas importações dos EUA, bem como de uma cada vez mais provável recessão da economia desse País” – pontua a Associação ao apresentar o balanço do setor relativo ao primeiro bimestre deste ano.
Segundo a Anpo, o resultado das exportações no início do ano foi classificado como “ótimo desempenho acumulado”, mesmo com as negociações realizadas em fevereiro sendo inferiores às de janeiro, em faturamento e volume físico.
“Neste período, as exportações somaram 229,3 milhões de dólares e 318,8 mil toneladas, com incremento de respectivamente 15,6% e 0,4% frente ao 1º bimestre de 2024” – aponta.
Em reunião com Alckmin, Casagrande declara apoio à defesa da soberania
O governador Renato Casagrande encontrou o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta segunda-feira (14), em Brasília, para tratar da tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros imposta pelo presidente norte-americano Donald Trump a partir de 1º de agosto. No encontro, Casagrande manifestou apoio à posição brasileira em defesa da soberania nacional.
Segundo ele, “nenhum país pode interferir no funcionamento das instituições de outro país”. E também reforçou a posição de que o Brasil deve buscar uma negociação até o final do mês com o governo americano.

Foto: Adriano Zucolotto-GovernoES/Divulgação
“O governo brasileiro também está, através do vice-presidente Geraldo Alckmin, buscando interlocução com o setor empresarial, para que o setor empresarial daqui [do Brasil] possa fazer a interlocução com o setor empresarial dos Estados Unidos e que isso possa ajudar na negociação. Então reafirmei essa posição importante para proteger empregos no Brasil, no Espírito Santo. No Espírito Santo quase 30% do que a gente exporta é para os Estados Unidos. O comércio internacional no Espírito Santo é muito importante” – salienta o governador.
Renato Casagrande também pontuou que é contrário a um duelo de tarifas e a uma tarifa linear de exportação para todos os setores produtivos brasileiros.
Foto do destaque: Anpo/Divulgação
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