Sobretaxa de Trump já afeta exportação de café do norte do ES
Por
Claudio Caterinque
Repórter
No campo, uma observação comum é que o produtor rural nunca tem sossego. Além da taxa extra de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, um outro exemplo recente são as situações que os produtores de café conilon vêm enfrentando, principalmente no Espírito Santo. Conforme apurado pela Reportagem em diversas matérias publicadas na Rede TC de Comunicações, no início do ano, o preço da saca de conilon ultrapassou a barreira dos R$ 2 mil, no entanto, poucos produtores aproveitaram a alta devido à baixa nos estoques por estarem no meio do ano safra.

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Depois, já no início da colheita, o preço iniciou o processo de queda, encostando na barreira de R$ 1 mil a saca de 60 quilos. Desde a semana passada, segundo cotação apresentada pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), o produto está sendo comercializado em média a R$ 960 a saca.
Ou seja, quando não tinha tanto café disponível, havia preço mais vantajoso. Agora que os produtores têm maior volume de café, o preço está em baixa.
Sobre o desafio atual para os produtores –a taxação norte-americana que deve começar a valer em 1º de agosto–, o empresário Orione Polez, um dos gestores da Polez Café, de Jaguaré, afirma que a medida anunciada na semana passada já produz impactos na exportação do grão, mesmo antes da data marcada para entrar em vigor.

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Exportações suspensas
Em entrevista à Rede TC de Comunicações, Orione afirma que, assim que foi anunciada a sobretaxa, o comércio de café entre os dois países foi suspenso. Ele explica que, como o produto é transportado por navios e demora até 20 dias para chegar aos EUA, não haveria prazo suficiente para enviar uma nova remessa na tentativa de se antecipar à taxa extra.
“Na verdade, os Estados Unidos param de comprar o nosso café porque, se eles comprarem hoje, sendo tarifado em 50%, vão estar comprando mais caro do que era previsto. Então, não é viável para os Estados Unidos, grande consumidor. Eles deixam de comprar o nosso café e o mercado [brasileiro] acaba não absorvendo essa parte que eles compram” – frisa Orione, afirmando que o produtor pode buscar outros mercados consumidores para vender o café conilon.
EUA importam menos de 10% de conilon do Brasil, diz Orione
Em 2024, os Estados Unidos foram o terceiro maior destino do café conilon brasileiro, recebendo cerca de 693.744 sacas, o que representa aproximadamente 8% do total exportado pelo Brasil. Embora os EUA sejam um importador significativo, a Bélgica e o México lideram as compras, com mais de 1,2 milhão de sacas cada, conforme dados oficiais do Ministério da Agricultura.
Segundo Orione Polez, do total de café conilon exportado pelo Espírito Santo, 5% têm como destino o mercado norte-americano. “O café é consumido em grande parte internamente [no Brasil]. O restante vai para vários outros países do Oriente Médio, Europa. Mas agora, por enquanto, sem negociação entre Brasil e Estados Unidos” – reforça.
O empresário afirma que o setor ainda está estudando as causas da queda de preço do café antes do anúncio da taxação de Trump. “A gente não sabe quais fatores que fizeram abaixar mais um pouco, se foi a taxação, porque também não conseguimos identificar o fator que derrubou o preço de R$ 2.000 para R$ 1.000. Ainda é uma especulação. Fala-se em grande safra, mas a gente não viu esse café todo no mercado ainda”.
ALTERNATIVA
Orione observa que outros mercados poderão absorver a fatia que os Estados Unidos importam do Brasil, já que os próprios norte-americanos, se a tarifa extra se concretizar, terão de comprar o grão de outros países e, consequentemente, em algum lugar faltará café para suprir o próprio consumo. “Acredito que não vai diminuir o consumo de café. Ele vai ser comprado de outras regiões e aí abrem outras portas”.
RESILIÊNCIA
Ainda de acordo com Orione Polez, o produtor rural jaguarense já está acostumado com os altos e baixos do mercado e saberá enfrentar mais este desafio. “Ele já está acostumado com essa volatilidade”.
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